9 de novembro de 2010

A Escola dos Annales

Em 1903, na França, o sociólogo e economista François Simiand, publica o artigo Método Histórico e Ciências Sociais com críticas importantes à historiografia predominante e apela aos historiadores para que transitem do “fenômeno singular para o regular, para as relações estáveis que permitem perceber as leis e os sistemas de causalidade”, enfim, do individual para o social.[1] Não há mais como evitar a ideia de que há repetições e regularidades nos movimentos históricos, constituindo fenômenos de longa duração, bem como é impossível desconsiderar o papel das massas nos acontecimentos históricos.
O apelo de Marx para que se observasse no processo histórico as possibilidades de criar uma lei geral de explicar momentos distintos da história, e o apelo dos sociólogos influenciados por Émile Durkheim, caso do próprio Simiand, para que observassem as relações estáveis e a unidade orgânica da sociedade, motivam uma nova historiografia, mais questionadora e pronta para a constituição de problemas de pesquisa.
Ao mesmo tempo, outros estudiosos trabalharam para isolar campos de conhecimento sobre a sociedade, deixando de enfatizar “a sucessão diacrônica dos eventos, para concentrar-se na relação sincrônica de múltiplas variáveis”, fixando-se no todo através de uma reconstrução mental da realidade.[2]
 As tentativas de enriquecimento da História são muitas. Em 1929, Marc Bloch e Lucien Febvre, dois historiadores atentos ao debate, publicam o primeiro número de Annales d´histoire économique et sociale, com estudos voltados aos aspectos sociais e culturais da história e amplia, com as suas propostas, o leque temático, documental e metodológico da História, definindo a renovação da historiografia. As décadas seguintes fortalecem irreversivelmente a tendência dos Annales. Em 1974, publica-se, na França, o Faire de l´histoire, obra com três volumês, no Brasil denominada História: Novos problemas, Novos objetos e Novas abordagens. Trata-se de um consistente balanço da produção do século XX e um apanhado das novas tendências.
Amplia-se a participação dos historiadores nos debates econômicos, sociais e culturais, de tal maneira que na passagem do século XX para o XXI os historiadores encontram-se em lugar de destaque nas discussões e nas publicações internacionais.  


[1] DOSSE, François. A História em migalhas; dos Annales à  Nova História. São Paulo: ensaio; Campinas: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1992. p. 29
[2]PEREIRA DAS NEVES, Guilherme., Op. Cit.,  p. 28

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