17 de junho de 2011

Modelo de Projeto de Pesquisa




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NOME DA INSTITUIÇÃO
NOME DO CURSO






Projeto de pesquisa




Livraria e Editora Globo: uma Moderna Experiência de Indústria Cultural no Rio Grande do Sul (1928-1948)



Elizabeth W. Rochadel Torresini





Orientador:








Nome da cidade, mês e ano















[segunda página]
Projeto de Pesquisa










1. IDENTIFICAÇÃO


1. 1Título: Livraria e Editora Globo: uma moderna experiência de indústria cultural no Rio Grande do Sul (1928-1948)






1.2 Executor: Elizabeth W. R. Torresini, professora do Curso de Especialização em História Africana e Afro-Brasileira, da Faculdade Porto-Alegrense (FAPA)






1.3 Orientador:






1.4 Área de investigação: História do Brasil






1.5 Instituição: FAPA






1.6 Duração do projeto: de maio a setembro de 2010






2. APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA






A inexistência de estudos sobre as editoras rio-grandenses é a inspiração desse projeto. Acredita-se que o resgate histórico do legado da Editora Globo de Porto Alegre, em conexão com a realidade maior, constitui uma contribuição importante para a história da cultural do Rio grande do sul e do Brasil, considerando que as publicações dessa editora são importantes para a compreensão do repertório da cultura brasileira e da cultura ocidental.


Além desse aspecto, verifica-se na História da Cultura Brasileira uma enorme lacuna no que diz respeito ao surgimento e ao desenvolvimento da cultura industrializada. Toda a discussão que se trava no Brasil sobre o fenômeno próprio da industrialização da cultura – produção, distribuição para consumo, veiculação, etc. – está centrada, comumente, no aparecimento do rádio, gravadoras, cinema e televisão. São inúmeros os trabalhos que analisam a produção cultural e os meios de comunicação de massa. Analisa-se, sobretudo, a televisão e a produção de uma cultura de massa – masscult – ou a veiculação da cultura média – midcult – ou mesmo da cultura superior.


Discute-se, igualmente, se o rádio e a televisão, com suas programações voltadas para o grande público, constituem-se num fator de alienação, de conformismo e de marginalização da população dos grandes centros. Não raro, encontram-se trabalhos que acreditam nesses meios, na cultura que eles produzem, divulgam, e refazem constantemente, alicerçados numa clássica idéia de que muita informação pode formar o indivíduo.


A Rede Globo é o alvo de todo o debate nacional. Evidentemente, não é no vídeo que ele é travado. Talvez nos bastidores, onde estão alguns dos intelectuais que produzem e fazem a crítica da cultura de massa. A discussão sobre o tema peca, talvez, num grande detalhe: considera-se que a indústria cultural somente apareceu no Brasil depois da inauguração da fase de desenvolvimento associada dependente, inaugurada durante o governo JK e aprofundada no período pós-64, mais marcadamente no final da mesma década. São poucos os trabalhos referentes ao período anterior. Acredita-se, com isso, que a indústria cultural é um fenômeno que surge via Rede Globo, ou melhor, via conglomerado Globo.


A produção da cultura industrializada, contudo, aparece com a própria industrialização do século XIX, ainda conseqüência da etapa liberal do capitalismo. A industrialização que permite a produção de bens culturais de consumo é a da fase monopolista do capitalismo, que visa aumentar o consumo de bens simbólicos através da propaganda massiva e da ampliação dos meios de comunicação de massa. Assim, a eletrificação dos centros urbanos e do mundo rural, bem como a construção de estradas de rodagem e de ferrovias são fatores de unificação necessários para que se estabeleça uma rede de consumo dos produtos industrializados.


Como é sabido, depois da Primeira Grande Guerra, o Brasil passa por um processo de substituição de importações que se estende pelas décadas de 1930 a 1950. O modelo somente entra em colapso com a nova realidade criada pela 2ª Guerra Mundial. A substituição de importações desenvolve uma indústria voltada para a produção de alimentos, vestuário, utensílios domésticos, equipamentos simples, bebidas, quando são atendidas as necessidades mais imediatas da população.


No período enfocado, a cultura começa a ser produzida industrialmente. É o momento das grandes editoras no eixo Rio-São Paulo. Afirma Nelson Werneck Sodré:


Desde que surgiram aqui as primeiras oficinas gráficas, claro que começaram a ser produzidos livros. A precariedade do parque gráfico, na fase artesanal da imprensa, era tamanha, entretanto, que o livro, na maior parte, era impresso no exterior, particularmente, em Portugal. O desenvolvimento do parque gráfico brasileiro data da fase em que crescem e se alastram as relações capitalistas; assim, a atividade editorial, em termos nacionais, tem início após a revolução de 1930. O pós-modernismo, a conquista do público pelos romancistas-documentaristas nordestinos, encontra, pois, a base material de que necessita; aparecem grandes editoras nacionais; o público cresce e se diversifica.


No Rio Grande do Sul, curiosamente fora desse eixo central, do núcleo das decisões em torno da produção de cultura industrializada, surge uma editora numa tradicional livraria, nas primeiras décadas do século XX, com capacidade de modernizar o processo de produção e de distribuição de livros, além de criar um conceito próprio de editoração.


A Livraria Globo manteve até 1956 uma seção editora que publicou uma grande variedade de obras de autores nacionais, regionais, além de inúmeras traduções de autores estrangeiros. Na década de 1930, e seção editora começou a ser estruturada para atingir o público do Estado e do Brasil,, através de um esquema editorial e comercial inovador e de boa qualidade. Para tanto, aprimoraram-se as traduções e criaram-se coleções de clássicos da literatura universal, de literatura infanto-juvenil, além de manuais técnicos, entre outros.


Em vista da necessidade de um estudo histórico que trate da produção editorial rio-grandense e brasileira, optou-se por fazer um levantamento da história da Editora Globo, com base no problema de pesquisa, abaixo apresentando.






3. PROBLEMA DE PESQUISA


Uma vez apresentado o tema histórico, elaborou-se um questionamento sobre a Livraria do Globo e de seu campo de atuação, em torno da seguinte pergunta: Como surgiu, fora do eixo Rio-São Paulo uma moderna editora, das dimensões e importância da Editora Globo, ainda na década de 1930?




4. REFERENCIAL TEÓRICO


A industrialização, conforme Celso Furtado, Paul Singer e Gabriel Cohn, é um processo histórico. Gabriel Cohn aponta para a necessidade de se fazer uma distinção entre surtos industriais, como aquele ocorrido no Império, entre 1844 e 1875, e a industrialização no seu sentido mais amplo. Para Cohn,




A industrialização é um processo: é um conjunto de mudanças, dotado de certa continuidade e de um sentido. Seu sentido é dado pela transformação global de um sistema econômico-social de base não industrial (no caso brasileiro de base agrário-exportadora) (...) A instauração de um processo industrializante tem raízes mais profundas, que por vezes nem mesmo se traduzem imediatamente na criação de indústrias, mas que configuram um movimento que, uma vez iniciado, é irreversível. Desde que articuladas as forças econômicas e sociais conducentes à industrialização, e desencadeado (...) o processo, a alternativa não é mais a volta ao estado anterior, mas a estagnação.


No caso do desencadeamento do processo industrial no Rio Grande do Sul, serão considerados os fatores de acumulação regional e a combinação deles com os fatores nacionais, ou seja, a produção voltada ao atendimento do mercado interno brasileiro, a monetarização da economia, a aquisição de máquinas e equipamentos e a conversão de capitais em determinados setores.


O fenômeno da industrialização da cultura (indústria cultural) e da produção industrial de livros tem a sua especificidade. Conforme Umberto Eco, "a fabricação de livros tornou-se um fato industrial, submetido a todas as regras da produção e do consumo; daí uma série de fenômenos negativos, como a produção de encomenda, o consumo provocado artificialmente, o mercado sustentado com a criação publicitária de valores fictícios".


Embora Eco chame a atenção para a distinção entre os produtores de objetos de consumo cultural e produtores de cultura, à indústria cultural interessa a reprodução do capital e, para tanto, pode abrigar os dois produtores sem provocar nenhuma contradição interna. As áreas de interesse de uma indústria de livros podem ser divididas em blocos. As editoras, em geral, interessam-se por literatura erudita, literatura didática e científica, literatura infantil e literatura de massa.


A literatura erudita designa a produção das instituições de ensino e das academias. Por ser a mais difícil de definir, Pierre Bourdieu a inscreve no campo da produção erudita: "O campo de produção erudita somente se constitui como sistema de produção que produz objetivamente apenas para os produtores de cultura através de uma ruptura com o público dos não-produtores, ou seja, com as frações não-intelectuais das classes dominantes". que com base nos estudos de Umberto Eco e Pierre Bourdieu.


O termo moderno e modernidade deverão ser definidos através das leituras das obras de Jean-François Lyotard, Jean Baudrillard e Marshall Berman. É importante ressaltar que esses autores, ao tratar teoricamente do tema, consideram que a modernidade é transformação e alimentação do paradoxo e da crise, além de ser referência constante ao futuro e à mudança.


A modernidade, diz Jean Baudrillard, tem suas noções específicas de tempo: do relógio, da histórica linha de tempo, que formam um conjunto de definições baseadas na linearidade do tempo. Mas, a modernidade é também um modo de organizar a civilização, é um modo de civilização que tudo absorve, envolve e destrói, alterando os antigos sistemas de poder e de troca, substituindo-os por mercadorias e objeto de consumo industrial.




5. HIPÓTESE


Para responder ao questionamento acima apresentado, a presente pesquisa parte da hipótese de que o crescimento da Editora Globo está associado ao processo de industrialização e de modernização do Brasil e do Rio Grande do Sul, ao desenvolvimento da industrial cultural brasileira e rio-grandense, ao aumento do número de leitores (indivíduos alfabetizados) e à atividade de escritores, tradutores, ilustradores disponíveis para as tarefas de editoração, necessários ao desenvolvimento da citada editora entre as décadas de 1930 e 1940.




6. OBJETIVOS


O objetivo geral desse projeto é fazer compreender a importância da Editora Globo no contexto editorial brasileiro das décadas de 1930, 1940 e 1950, partindo do processo de industrialização e de modernização da sociedade brasileira. Para tanto, foram traçados os seguintes objetivos específicos:


6.1 analisar o processo de industrialização e de modernização, associado ao desenvolvimento da indústria cultural no Brasil e no Rio Grande do Sul, entre os séculos XIX e XX;
6.2 avaliar e analisar as possibilidades que o Rio Grande do Sul oferecia em termos de leitores (percentual de indivíduos alfabetizados), além de profissionais capacitados para atender as demandas de uma editora no que se refere às traduções, ilustrações e toda a sorte de serviços especializados que essa indústria requer;
6.3 identificar o momento da criação e da ampliação da Seção editora da Livraria do Globo, destacar suas principais edições, publicações de revistas e outros bens culturais; fazer um levantamento do número de alfabetizados no Rio Grande do Sul, entre as décadas de 1920 e 1930, dos indivíduos leitores de livros;
6.4 comprovar o crescimento e desenvolvimento da Editora Globo, através da diversificação da produção editorial e dos planos de aproximação dos diferentes grupos de leitores, com distintos interesses, tais como: literatura policial, literatura erudita, literatura infantil, enciclopédias, dicionários, livros técnicos, obras de culinária, manuais de bem-viver, e obras de interesse geral.




7. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


Inicialmente, a pesquisa depende de uma revisão bibliográfica que trate da questão da definição dos processos de industrialização e modernização, do surgimento da indústria cultural e indústria de livros. Esse estudo obedecerá ao seguinte roteiro de leituras:


7.1 a industrialização será tratada como um processo iniciado no século XIX e em expansão no século XX, conforme Celso Furtado, Paul Singer e Gabriel Cohn. Serão considerados os fatores de acumulação nacional e regional. Além disso, pretende-se estudar o fenômeno da industrialização da cultura (indústria cultural) e da produção industrial de livros com base nos estudos de Umberto Eco e Pierre Bourdieu. Os termos relativos ao moderno e à modernidade deverão ser definidos através das leituras das obras de Jean-François Lyotard, Jean Baudrillard e Marshall Berman.
Esse aprofundamento será seguido por uma pesquisa empírica de levantamento de dados documentais, para a qual foram estabelecidos os seguintes passos:
7.2 a avaliação da população rio-grandense alfabetizada, público alfabetizado e possível leitor e clientes de livros, dependerá da pesquisa nos Relatórios do Presidente de Estado do Rio Grande do Sul (1920-10145) e nos Relatórios da Diretoria de Ensino do Estado do Rio Grande do Sul;
7.3 o histórico da Livraria do Globo, da seção editora será organizado mediante leitura e coleta de dados em livros de memórias, biografias, perfis de época, autobiografias e jornais de época. Com o propósito de fazer acréscimos aos depoimentos e análises da documentação, serão realizadas entrevistas com os atuais diretores da Editora Globo;
7.4 através da revisão da bibliografia, jornais, documentação e entrevistas será reconstituído o grupo de intelectuais e artistas que atuaram na Globo entre as décadas de 1930, 1940 e 1950;
7.5 os relatórios da empresa e as entrevistas com os proprietários procurarão investigar a origem do capital disponível para a ampliação da seção editora, bem como a repercussão e o impacto que causou a aquisição da maquinaria nas décadas de 1910 e 1920. A leitura de jornais rio-grandenses, sobretudo do Correio do Povo e do Diário de Notícias, dará a medida do impacto da modernização da editora e da aceitação de sua diversificada produção pelos leitores e críticos rio-grandenses.




8. CRONOGRAMA


[fazer uma tabela, considerando os quatro objetivos]


9. BIBLIOGRAFIA E FONTES


9.1 Bibliografia


BARCELLOS, Ramiro. Rio Grande: tradição e cultura. Porto Alegre: Flama, 1970.
BAUDRILLARD, Jean. La modernité ou l´esprit du temps. Bienalle de Paris. Paris: Editions Léquerre, 1982, p.28-31.
BERMAN, Marshall. Tudo o que é sólido desmancha no ar. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1974.
CARONE, Edgar. A República Velha: instituições e classes sociais. Rio de Janeiro: Difel, 1978.
CAVALHEIRO, Edgard. Testamento de uma geração. Porto alegre: Globo, 1944.
COHN, Gabriel. Problemas de industrialização no século XX. In: MOTA, Carlos Guilherme (org.) Brasil em perspectiva. 10.ed. Rio de Janeiro: Difel, 1978.
COSTA FRANCO, Sérgio. Porto Alegre e seu comércio. Porto alegre: ª Comercial de Porto Alegre, 1983.
______. Guia histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, Prefeitura de Porto Alegre, 1988.
DOMINGUES, Hercílio. Notas sobre a evolução econômica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1929.
ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1970.
FERREIRA, Athos Damasceno. Imagens sentimentais da cidade. Porto Alegre: Globo, 1940.
FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Nacional, 1976.
GOUVÊA, Paulo de. O grupo. Porto Alegre: Movimento/IEL, 1976.
LINS DA SILVA, Carlos Eduardo. Indústria cultural e cultura brasileira: pela utilização do conceito de hegemonia cultural. Revista da Civilização Brasileira, ago. 1980, pp. 189-191.
LYOTARD, Jean-François. O pós-moderno. 4.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993.
MEYER, Augusto. No tempo da flor. Rio de Janeiro: Lidador, 1965.
ORNELLAS, Manoelito de. Símbolos bárbaros. Porto Alegre: Globo, 1943.
PESAVENTO, Sandra J. República Velha Gaúcha: Estado autoritário e economia. In: CESAR, Guilhermino et al. RS: economia e política. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1979.
PIMENTEL, Fortunato. Aspectos gerais de Porto Alegre. Porto alegre, 1945. [s.e.].
REVERBEL, Carlos. Barco de papel. Porto Alegre: globo, 1979.
RUSCHEL, Nilo. Rua da Praia. Porto Alegre: Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 1971.
SINGER, Paul. Desenvolvimento econômico e evolução urbana. São Paulo: Nacional/USP, 1968.
SPALDING, Walter. Construtores do Rio Grande. Porto Alegre: Sulina, 1969.
TORRESINI, Elizabeth. Editora Globo: uma aventura editorial entre os anos 30 e 40. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo (USP); Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1999.
________. História de um sucesso literário: Olhai os lírios do campo de Erico Veríssimo. Porto Alegre: Literalis, 2003.
VERISSIMO, Erico. Um certo Henrique Bertaso. Porto Alegre: Globo, 1972.


9.2 Fontes


Correio do Povo


Diário de Notícias


Relatórios do Presidente do Estodo do Rio Grande do Sul


Relatórios da Diretoria Geral de Ensino do Estado do Rio Grande do Sul

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