7 de agosto de 2015

DIVULGANDO:
II SEMINÁRIO BRASILEIRO DE MUSEOLOGIA, ENTRE 16 A 20 DE NOVEMBRO, NO MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE, EM RECIFE (PE)


O GT 20 - MUSEOLOGIA E TRABALHO EM MUSEUS: TRAJETÓRIAS, TENDÊNCIAS, MODELOS, FORMAÇÃO E PAPEL SOCIAL será coordenado por Manuelina Duarte, autora de Gestão de Museus, um desafio contemporâneo - http://www.medianiz.com.br/livros/gestao_de_museus.html - e por Carolina Ruoso.
Manuelina Maria Duarte Cândido é professora do curso de Museologia da Universidade Federal de Goiás e diretora do Departamento de Processos Museais do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Doutora em Museologia (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2012) e Pós-Doutora em Museologia (Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3, 2014-2015). Autora de Gestão de museus, um desafio contemporâneo, pela Editora Medianiz.
Carolina Ruoso é mestre em História, doutoranda em História da Arte na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Coordenadora de Patrimônio e Memória da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.
www.liber.ufpe.br
liber.ufpe.br
http://www.liber.ufpe.br/conferences/index.php/sebramus2015/sebramus2015

3 de agosto de 2015

A entrevista na elaboração do conteúdo histórico

No Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo GPJor (UNISINOS), os trabalhos reiniciaram com a proposta de pensar as técnicas, métodos e estratégias da composição de uma entrevista. Para isso, os painelistas – Elizabeth Torresini (Editora Medianiz), Maria Jandyra Cavalcanti Cunha (UNB) e Carla Mühlhaus (jornalista e escritora) – trouxeram suas experiências enquanto entrevistadores ou como pesquisadores que vêem na entrevista um método de trabalho em mesa coordenada pelo professor Ronaldo Henn, integrante do GPJor.

Elizabeth Torresini diz que enquanto historiadora nunca estava muito próxima da prática jornalista. Porém, quando se pôs a pensar a partir do uso que se faz da entrevista para recompor a história, encontrou semelhança no seu trabalho e no do jornalista. “Todos podem ser historiadores, inclusive o jornalista. A diferença é que o historiador reconta suas narrativas sempre apoiada em referências”, destaca, lembrando que referências são as pistas que descobrem e que provam que aquela história de fato existiu. E vai além. Coloca a entrevista como “a história de um presente”. Isso traz a idéia temporal. O que faz entender porque o historiador usa outros recursos já que “não se tem como entrevistar pessoas do passado”. Manifesta certa admiração pela entrevista. Seja como história ou escritora, essa é uma metodologia presente na sua arte de recontar o passado seja de uma empresa ou de um indivíduo ou comunidade. “A entrevista torna as pessoas agentes da história”.
Maria Jandyra Cunha olha para a entrevista enquanto lingüista. Seu objeto dentro do jornalismo é o que chama de entrevista contada. “O que é diferente da entrevista velada”, definida por ela como aquela em que o jornalista dilui num texto o produto da entrevista. “É interessante ver como os jornalistas narram as entrevistas que fazem”, acrescenta. Quando orienta trabalhos na lingüística, pede que o pesquisador faça a transcrição integral das entrevistas realizadas e as apresente na tese ou dissertação. O que para Jandyra faz os estudos na área de jornalismo perder muito, pois poucos adotam essa prática. São estratégias que considera importantes do ponto de vista metodológica, já que traz a pauta e a entrevista enquanto um processo. Afinal, tema a entrevista “como um gênero textual”. Embora muitas vezes seja pensado como um gênero e acabe servindo a outro.
Com um tom de bom humor e com muita franqueza, Carla Mühlhaus lembra que quando começou a trabalhar como jornalista não tinha a menor ideia do que era e como se fazia entrevista. Mais tarde, quando desenvolveu uma pesquisa sobre o assunto imaginou um caminho: “levar a prática para teoria, pensando uma monografia baseada em entrevistas”. Foi o que fez.  Hoje, mesmo distante do trabalho de repórter e como autora de livros, muitos contratados por encomenda, sente-se perto da entrevista como método de recontar histórias. “A entrevista está muito ligada a experiência”. Por isso, fala algo semelhante a Eduardo Veras - que participou da primeira mesa do Seminário: “o entrevistador tem de seduzir o entrevistado e o deixar confiante. Não existe boa entrevista sem a confiança dos dois”. Isso porque acredita que o ato dialógico da entrevista deve acontecer a partir de posturas como a troca e a escuta. E não a tensão da combatividade tão típica aos jornalistas.
Embora cada um tenha sua idéia de entrevista todos a reconhecem como um método. Vêem nela o espaço para construir e desenvolver suas estratégias através de uma técnica que acaba sendo própria de cada um. O que há, ainda, comum a todos é a ideia de que o processo de pensamento e execução da entrevista não podem estar alheio. Isso tanto numa pesquisa como numa reportagem. O que atualiza uma idéia já tratada no Seminário Aberto. Depois dessa terceira mesa, é possível se pensar na validade de outras formas de entrevista, como a via e-mail.  Contanto que isso fique posto e claro na narração que se faz daquela “entrevista”.
http://gpestudosemjornalismo.blogspot.com.br/2011/11/os-metodos-estrategias-e-tecnicas-no.html

15 de fevereiro de 2015

SOBRE O TEMPO DA LEITURA

“UM LIVRO, FEITAS AS CONTAS, se lê depressa: em uma hora de leitura por dia, durante uma semana, chego ao fim de um romance de 280 páginas! Que posso ler em apenas três dias, se gasto um pouco mais de duas horas! Duzentos e oitenta páginas em três dias! Quinhentas e sessenta páginas em seis dias úteis.
Contem suas páginas... Começamos por nos maravilharmos com o número de páginas lidas, depois vem o momento em que nos assustamos com o pouco que resta a ler. Não mais que 50 páginas! Nada mais delicioso que essa tristeza: Guerra e paz, dois grossos volumes... E não mais que 50 páginas a ler. A gente retarda, retarda, nada mais a fazer.”
Daniel Pennac. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1993, p.117.

18 de setembro de 2014

MODERNIDADE, NOÇÃO DE TEMPO E PÓS-MODERNIDADE




A modernidade é um modo de civilização. Seus primeiros sintomas aparecem com as grandes navegações e com as descobertas do século XVI. Descobrir novas terras e arriscar empreendimentos torna-se um dos objetivos dos homens. Para atingir essas metas é necessário desenvolver a capacidade de planejamento. A rudeza dos oceanos não pode ser vencida somente com espírito de aventura. Na busca de ampliação de recursos e de domínios, os europeus desenvolvem a ciência e a tecnologia. Dividem racionalmente o trabalho, criam a indústria e introduzem na vida social a dimensão da mudança permanente.
Entre o século XVI e XX, são efeitos do mundo moderno a invenção de aparelhos capazes de medições precisas, o desenvolvimento da tecnologia avançada, o crescimento demográfico, a descoberta de medicamentos sintéticos, a concentração urbana e o gigantesco desenvolvimento dos meios de comunicação e de informação.
A modernidade é uma prática social e um modo vida organizado em função das possibilidades de inovação e de mudança do futuro. A ideia de projetar para o amanhã e de intervir no futuro é um dos aspectos mais sensacionais da modernidade.
Em Tudo o que é sólido desmancha no arMarshall Berman diz-nos o que é a modernidade. Na leitura do Fausto, de Goethe, do Manifesto Comunista, de Karl Marx, e do romance russo do século XIX, é possível conhecer a modernidade como projeto de intervenção no futuro. Mas é no plano de urbanização de Nova Iorque, do arquiteto Robert Moses, que Berman identifica o extrato da modernidade. Para construir as radiais que circundam e ligam Manhantan aos distritos de Nova Iorque, Moses destruiu bairros e vizinhanças inteiras, esquecendo a vida cotidiana, as feiras e as formas de organização tradicionais, verdadeiros obstáculos ao seu projeto de modernização da cidade.
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A modernidade tem faces distintas. De um lado, gera progresso e desenvolvimento; produz artefatos industriais e teconológicos inimagináveis; de outro, alimenta as contradições, a miséria, a condenação e a exclusão. Ela é também um jogo de signos, de costumes e de cultura que transforma os seres humanos e as sociedades em objetos de pensamento, em abstração. E em consumo. Criado a fluidez da modernidade, os homens esquecem as relações tradicionais, a amizade duradoura, a vizinhança antiga e as formas narrativas (Walter Benjanin) contentando-se com padrões de comportamento ditados por discursos e pelo consumo.
Henri Lefebvre, um pioneiro dos estudos sobre a modernidade, vale-se do pensamento de Marx e de Baudelaire para analisar o mundo moderno. Em Marx, ele identifica a criação do Estado e da vida cotidiana pelo exercício da abstração; e em Baudelaire identifica a criação de um mundo novo pela linguagem. Na modernidade, o mundo pode ser criado pela linguagem, por atos de linguagem. Concebe-se o futuro, o desconhecido, o improvável, o imprevisível pela linguagem. A linguagem no lugar das coisas ocupa o espaço do real. A revolução pretendida por Marx é antes um ato de linguagem. É uma ideia expressa por palavras que propõe atitudes e a transformação do real. 
Além das abstrações que ocupam o lugar do real, a modernidade cria a noção de tempo medido e calculado. A preocupação com o medir o tempo é uma experiência antiga. As cidade ao longo dos séculos XV e XVI ganham relógios públicos e o uso dos relógios individuais espalha-se pela Europa. Todavia, o relógio de precisão e o seu uso como um instrumento científico, somente nasceu com o cronômetro e com a necessidade de medir fenômenos naturais com mais certeza. Galileu usa um pêndulo para medir o tempo e abre caminho para a sua cronometragem.
Medir o tempo através dos relógios é uma experiência comum. Contar dias, noites,  meses e anos é próprio da civilização moderna. Tempo sucessivo, linear, cronológico; passado, presente e futuro. Tempo tripartido que se nos apresenta como tempo real. A modernidade promove uma noção específica de tempo: tempo histórico ou tempo da linha de tempo ou tempo diacrônico, propondo às sociedades ocidentais uma adaptação cronológica do passado.
A existência de um tempo passado, presente e futuro é um crença no mundo moderno. O ato de fé no futuro, perpetua a noção de tempo histórico tripartido. Cabe, no momento, uma pergunta: e se deixarmos de acreditar no futuro, voltando-nos ao presente ou ao tempo cósmico, dos planetas, dos tempos infinitos, dos mitos e das explicações redondas? A realidade do tempo será alterada?
Há historiadores que já escrevem História com uma nova concepção de tempo histórico. Para eles, o tempo pode ser repetição, simultaneidade, heterogeneidade, descontinuidade, multiplicidade. A nova concepção de tempo histórico rejeita a pura sucessão acontecimental tradicional. Ela é pós-calendário histórico, pós-linha de tempo, pós-cronologia. O tempo pode ser simultâneo ou sincrônico.
Nesse sentido, a nova noção de tempo pode ser denominada de pós-moderna.



25 de junho de 2014

3 de junho de 2014

O livro "A Escrita da História" e o tema da micro-história

O livro A Escrita da História é uma coletânea de estudos sobre a Nova História cultural, organizada por Peter Burke. Na Introdução, Burke discute os limites da História tradicional, apontando algumas possibilidades de mudança desse paradigma.
Os capítulos, assinados por diversos historiadores, tratam das mulheres, da micro-história, da leitura, das imagens, do pensamento político, do corpo e do renascimento da narrativa, formando um conjunto interessante de conhecimento sobre o passado cultural de diversos grupos e experiências. Conforme Burke, "o que essas abordagens têm em comum é sua preocupação com o mundo da experiência comum (mais do que a sociedade por si só) como seu ponto de partida, no sentido de mostrar que o comportamento ou os valores, que são tacitamente aceitos em um sociedade, são rejeitados como intrinsecamente absurdos em outra". Em outras palavras, esses historiadores estudam a história dos que não foram objeto da história tradicional, enfatizando a experiência comum cotidiana. Trata-se de um belo livro sob o ponto de vista cultural.
Sobre a pergunta que me fizeram - Como entender a micro-história a partir da leitura desse livro? - a sugestão é a leitura do excelente capítulo "Sobre a micro-história" (p.133-161), assinado por Giovanni Levi, o grande especialista no tema. Depois dessa leitura, certamente é possível compreender os aspectos fundamentais dessa abordagem.
Espero ter ajudado!
Elizabeth Torresini

30 de março de 2014

O historiador e o recurso da entrevista



Qual é o papel da entrevista na rotina produtiva do historiador?
Por que o historiador entrevista? Quando fazer uma entrevista?
A entrevista é um recurso importante de pesquisa no processo de construção do conhecimento histórico. Na condição de historiadora, sei aonde preciso chegar para escrever um livro. Os objetivos já estão no projeto, assim como os procedimentos, e o objeto de pesquisa constituído. Em um primeiro momento da pesquisa, o fundamental é inventariar a documentação e agendar as possíveis entrevistas ou tomadas de depoimentos, com vistas à reunião de dados para a composição do texto histórico.

Entrevista na pesquisa histórica
Considerando que o objeto histórico já está definido no proejto, a entrevista poderá: 
  • preencher os vazios da documentação escrita e das outras fontes;
  • ser um recurso para promover a adesão dos depoentes, para informar o que está sendo realizado, sobretudo quando se trata de uma reconstituição histórica de uma instituição ou empresa;
  •  auxiliar na reconstituição da contexto histórico, facilitando a compreensão do problema de pesquisa;
  • apoio à imaginação histórica ou à reconstituição do contexto histórico;
  • servir para a reconstituição da história dos grupos que não produziram registros escritos..

A entrevista torna-se uma fonte de pesquisa – depois pode ser transcrita, receber a assinatura do entrevistado e se tornar um documento escrito – produzida em dupla pelo historiador e o entrevistado.
Há diversas possibilidades de entrevista:
Entrevista com especialistas que atuam na empresa (com formação específica na área pesquisada).
Entrevistas com as pessoas que viveram determinados momentos ou processos históricos.
Entrevistas ou tomada de depoimentos com não especialistas : história oral ou histórias de vida (das quais é possível fazer uma análise das representações, das ordens discursivas, informações sobre fatos etc)

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