25 de junho de 2014

3 de junho de 2014

O livro "A Escrita da História" e o tema da micro-história

O livro A Escrita da História é uma coletânea de estudos sobre a Nova História cultural, organizada por Peter Burke. Na Introdução, Burke discute os limites da História tradicional, apontando algumas possibilidades de mudança desse paradigma.
Os capítulos, assinados por diversos historiadores, tratam das mulheres, da micro-história, da leitura, das imagens, do pensamento político, do corpo e do renascimento da narrativa, formando um conjunto interessante de conhecimento sobre o passado cultural de diversos grupos e experiências. Conforme Burke, "o que essas abordagens têm em comum é sua preocupação com o mundo da experiência comum (mais do que a sociedade por si só) como seu ponto de partida, no sentido de mostrar que o comportamento ou os valores, que são tacitamente aceitos em um sociedade, são rejeitados como intrinsecamente absurdos em outra". Em outras palavras, esses historiadores estudam a história dos que não foram objeto da história tradicional, enfatizando a experiência comum cotidiana. Trata-se de um belo livro sob o ponto de vista cultural.
Sobre a pergunta que me fizeram - Como entender a micro-história a partir da leitura desse livro? - a sugestão é a leitura do excelente capítulo "Sobre a micro-história" (p.133-161), assinado por Giovanni Levi, o grande especialista no tema. Depois dessa leitura, certamente é possível compreender os aspectos fundamentais dessa abordagem.
Espero ter ajudado!
Elizabeth Torresini

30 de março de 2014

O historiador e o recurso da entrevista



Qual é o papel da entrevista na rotina produtiva do historiador?
Por que o historiador entrevista? Quando fazer uma entrevista?
A entrevista é um recurso importante de pesquisa no processo de construção do conhecimento histórico. Na condição de historiadora, sei aonde preciso chegar para escrever um livro. Os objetivos já estão no projeto, assim como os procedimentos, e o objeto de pesquisa constituído. Em um primeiro momento da pesquisa, o fundamental é inventariar a documentação e agendar as possíveis entrevistas ou tomadas de depoimentos, com vistas à reunião de dados para a composição do texto histórico.

Entrevista na pesquisa histórica
Considerando que o objeto histórico já está definido no proejto, a entrevista poderá: 
  • preencher os vazios da documentação escrita e das outras fontes;
  • ser um recurso para promover a adesão dos depoentes, para informar o que está sendo realizado, sobretudo quando se trata de uma reconstituição histórica de uma instituição ou empresa;
  •  auxiliar na reconstituição da contexto histórico, facilitando a compreensão do problema de pesquisa;
  • apoio à imaginação histórica ou à reconstituição do contexto histórico;
  • servir para a reconstituição da história dos grupos que não produziram registros escritos..

A entrevista torna-se uma fonte de pesquisa – depois pode ser transcrita, receber a assinatura do entrevistado e se tornar um documento escrito – produzida em dupla pelo historiador e o entrevistado.
Há diversas possibilidades de entrevista:
Entrevista com especialistas que atuam na empresa (com formação específica na área pesquisada).
Entrevistas com as pessoas que viveram determinados momentos ou processos históricos.
Entrevistas ou tomada de depoimentos com não especialistas : história oral ou histórias de vida (das quais é possível fazer uma análise das representações, das ordens discursivas, informações sobre fatos etc)

23 de março de 2014

Práticas do historiador profissional



As práticas do  historiador profissional dependem do conhecimento de normas, padrões e rituais específicos da área da História.

  • Normas de referências, citações e uso das fontes   
  • Padrões de legitimação do conhecimento (conteúdo, método e técnica)

 Para produzir o texto histórico - a História - é necessário: 

  • Desenvolver noções específicas de tempo histórico (diacronia (linear ou processual) e sincronia (simultaneidade temporal)
  • Saber aplicar essas noções complexas de tempo (construídas socialmente)
  • Eleger um tema histórico, situando-o no tempo e no espaço 
  • Conhecer as fontes e os procedimentos técnicos para incorporá-los à pesquisa 
  • Definir um problema de pesquisa 
  • Construir o objeto de pesquisa 

É necessário conhecer as fontes de pesquisa, saber usar o recurso da entrevista e conhecer os locais de acervo
Fontes primárias (de primeira mão) e secundária.Caracterizam-se pela variedade: obras especializadas e de caráter geral; documentos (manuscritos e impressos); filmes e fotografias; monumentos; sítios e paisagens; gravações, entrevistas e depoimentos. Locais de pesquisa (arquivos, museus, bibliotecas e centros de documentação)

O historiador profissional e as suas áreas de atuação



O historiador é um pesquisador, escritor, conhecedor das fontes históricas e responsável pela produção historiográfica. No lugar de historiador, acredita-se que o plural historiadores é mais adequado, considerando que há 
     historiadores profissionais com formação específica na área de História;
     historiadores profissionais sem formação específica na área (exemplo dos jornalistas, advogados e outros que se dedicam aos textos e conteúdos históricos;
   historiadores amadores que escrevem sobre a história.
Particularmente admiro o trabalho de todos, mas só mencionar as características da minha prática de professora do ensino superior e do conhecimento que adquiri com a formação na área da História. Portanto, trato brevemente aqui do historiador profissional com formação específica.
Apesar de serem famosos os historiadores ao longo da história, somente no século XIX se desenvolvem os locais específicos de debates e formação profissional do historiador, especificamente, nas academias, sociedades e institutos históricos e geográficos que antecedem os cursos superiores específicos do século XX.
No Brasil, os cursos superiores de História (licenciaturas) foram instituídos com a Reforma Capanema de 1942, para atender as necessidades de formação de professores destinados às escolas primárias e secundárias.As graduações em História são posteriores, portanto, à Reforma Capanema. Já os cursos de pós-graduação em História são do início da década de 1970. Na ocasião, eles surgem para atender às necessidades de formação de professores/pesquisadores para o ensino superior, para as vagas acadêmicas nos cursos superiores de História.
Atualmente, abrem-se novas oportunidades para historiadores nas empresas, instituições e meios de comunicação, para atender as demandas de conteúdos históricos (exposições, livros, sites, etc.). Além da formação superior, é necessário que esse historiador revele capacidade de pesquisar, manejar as fontes e a escrita. Também o domínio de algumas habilidades técnicas e o conhecimento das linguagens próprias de cada tarefa profissional são exigências para o sucesso profissional, visto que costumam ser atividades terceirizadas e sazonais.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
www.metodosdahistoria.blogspot.com