27 de junho de 2013

Tempo Histórico: diacronia e sincronia (2)

Em termos práticos, é importante saber qual a noção de tempo mais indicada para o tema e a pesquisa escolhidos. Se a questão central trata do estudo da aceitação social das profissões, tal como fez Jacques Le Goff a respeito da Europa na Idade Média, no seu belo estudo intitulado Profissões lícitas e ilícitas no Ocidente Medieval , o recorte não pode ser a sucessão dos eventos - a diacronia -, mas sim a simultaneidade, a repetição e a mudança – sincronizadas a partir das profissões – ocorridas nas cidades e no campo no período que antecede a revolução comercial, as grandes navegações e do desenvolvimento da tecnologia. O próprio historiador afirma: “A minha intenção é estudar a hierarquia das profissões vis, profissões lícitas, profissões ilícitas, estas categorias abarcam realidades econômicas e sociais - e, mais ainda, mentalidades. (...) Seguir os movimentos da roda do destino das profissões medievais será a tentativa aqui esboçada."
Ao escolher a pesquisa e ao pensar na definição do objeto, o historiador pode avaliar as suas escolhas, lembrando a importância da adequação da noção de tempo ao seu projeto, perguntando-se sobre qual é a noção de tempo implícita às suas preferências.
As duas noções de tempo histórico que podem ser assim sintetizadas:

Diacronia: tempo cronológico, linear, sucessivo, fatual, processual;

Sincronia: tempo simultâneo (evento, conjuntura, estrutura), tempo da repetição e da transformação; tempo social, descontínuo, múltiplo, heterogêneo, plural

A escolha prende-se ao objeto de estudo e aos objetivos do projeto. Não se trata de adotar uma noção melhor que a outra, por ser mais verdadeira. Ambas são verdadeiras, são importantes construções culturais. Contudo, a adoção inadequada da noção de tempo pode causar transtornos ao pesquisador. À sugestão de se fazer uma reflexão sobre o tema histórico escolhido e a noção de tempo adotada, pode-se acrescentar, nessa fase importante de escolhas, decisões e reconhecimentos, a necessidade de refletir sobre as nossas concepções filosóficas e a maneira avaliar os fatos da realidade.

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